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As forças ocultas e os caminhos da revolução |
Leonildo Correa - Faculdade de Direito -- USP
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Não sei se você está pronto para ver o que quero te mostrar..., mas, infelizmente, nós dois não temos mais tempo. (Filme: Matrix) |
Recentemente tentei participar de um pleito. Coisa simples. Eleição para a Diretoria da Associação de Moradores do CRUSP. E, surpreendentemente, a minha pretensão foi barrada por "forças ocultas" (diria Jango) que se manifestaram e agiram no processo eleitoral. Modificaram os prazos para que chapas que não haviam feito inscrição se inscrevessem no pleito. Resumindo: uma eleição completamente ilegal que elegeu um grupo oportunista e sem nenhuma legitimidade para administrar a Associação. Quem faz o pleito não pode ser candidato. No CRUSP pode. Enfim, a democracia está sangrando no CRUSP.
Mas por que fizeram isto ? Simples. Eu, Leonildo Correa, fazia parte do único grupo que cumpriu todas as formalidades legais para participar da eleição. Quando viram que a minha chapa ia vencer o negócio e iniciar uma revolução dentro do CRUSP, as "forças ocultas", mas bem conhecidas, agiram rapidamente. Fraudaram o processo eleitoral e venceram a eleição. A revolução foi impedida e pessoas pouco capacitadas assumiram a organização. Assim garantiram a continuidade da estupidez e do conformismo na administração da AMORCRUSP, assim como a conivência com a COSEAS:
Isso levou-me a refletir sobre os caminhos da revolução e a perceber que as "forças ocultas", porém bem conhecidas, continuam atuando fortemente dentro do sistema democrático, filtrando as mudanças e permitindo que se realizem apenas os planos e idéias que estejam orientados aos seus interesses, ou seja, grupos "laranjas" entram nos processos eleitorais visando impedir que propostas revolucionárias cheguem ao poder e modifiquem o sistema.
Lembremos que este meio de ação sempre foi utilizado com sucesso ao longo da História da humanidade. Golpes militares, ditaduras, dissidentes presos e mortos, revolucionários deportados e no exílio, fraudes de todos os tipos garantiam a continuidade de "velhas ordens" por meio de novas gangues. Assim, ao longo da História humana a classe dominante (cada época teve a sua) conseguiu impedir mudanças e revoluções; parar pessoas e idéias; desvirtuar planos e projetos que visavam beneficiar a coletividade.
Enfim, usurparam o poder para garantir a opressão. Tudo dentro da estrita e falsa legalidade de cada época, ou seja, seus atos eram legitimados e justificados por meio de discursos mentirosos: hereges eram queimados por que tinham parte com o diabo e iam destruir a igreja; os comunistas queriam tomar as propriedades e dividir tudo com os pobres; etc. Contudo, eu pergunto: por quanto tempo conseguiram sustentar suas mentiras e parar as revoluções ? A que preço ?
Certamente, citei o caso do CRUSP como um paradigma do sistema, ou seja, os métodos de ação são os mesmos, tanto nas grandes quanto nas pequenas esferas. Os corruptos tanto estão em Brasília quanto aqui no CRUSP. Maçãs podres tem em todas as partes, em todos os lugares e instituições.
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A Matrix é um sistema, Neo. Esse sistema é nosso inimigo. Mas, quando estamos dentro dele, o que vemos ? Homens de negócio, professores, advogados, marceneiros. As mesmas pessoas que queremos salvar. Mas até conseguirmos, essas pessoas fazem parte desse sistema e isso faz delas nossas inimigas. Você precisa entender que a maior parte dessas pessoas não estão prontas para acordar. E muitos estão tão inertes, tão dependentes do sistema que vão lutar para protegê-lo. (Filme: Matrix) |
Mas, mais do que isto, a minha intuição (extremamente afiada e certeira) possibilitou-me visualizar, neste caso do CRUSP, a presença de uma intenção maior, uma vontade mais poderosa que atua contra os meus planos, meus projetos e minhas idéias. Assim, relacionando este fato com outros que tem ocorrido na minha vida nos últimos anos, conclui que este não é um caso isolado.
Em outras palavras, quaisquer pleito que eu participe irá ativar estas "forças ocultas" que trabalham contra a minha pessoa, principalmente porque eu tenho propostas não-convencionais e pretendo resolver os problemas nacionais em benefício da coletividade e não da classe dominante.
Eu não acredito em acaso e nem em coincidências. As coisas e os fatos são preparados para que pareçam acaso e coincidência, enganando os tolos e as pessoas que não prestam atenção aos detalhes. Contudo, quem observa os detalhes encontra as falhas e vê as intenções.
Em outras palavras, tentam de todos os meios, e de todas as formas possíveis e impossíveis, barrar a minha chegada ao poder, seja censurando minhas idéias, sufocando meus projetos, inclusive impedindo-me de acessar recursos oficiais para construir mudanças (como estão impedindo hoje o Projeto de Democratização do Conhecimento), ou de assumir cargo importante, etc, chegaram até a roubar a bolsa trabalho para a qual eu fui selecionado.
Enfim, tentam impedir-me de assumir e modificar o sistema que controlam. Contudo, o mal foi identificado e seu plano descoberto. A questão agora é determinar como lidaremos com ele, ou seja, como enfrentar e desarticular forças que buscam manter o sistema de opressão e exploração intacto e funcionando a todo vapor.
Assinalo que este é o ponto de inflexão no qual todos os revolucionários se defrontam com a questão mais controversa e sensível das revoluções: o uso da violência como único caminho possível para fazer avançar o movimento e os interesses da coletividade. Não apenas o uso da violência contra as forças do sistema que atuam para impedir a revolução e eliminar os revolucionários (somente a força pode parar a força), mas também o uso da violência como pavimentação do caminho revolucionário.
Esta é uma questão complexa que não precisaria ser enfrentada se as "forças ocultas" respeitassem as regras do jogo democrático e o Estado de Direito, permitindo que as revoluções ocorressem naturalmente dentro do sistema. Mais cedo ou mais tarde os revolucionários vencem, pois outras forças inerentes ao próprio sistema obrigam-no a evoluir.
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Você não aceita autoridade, Sr. Anderson. Você se acha especial, como se as regras não se aplicassem a você. Obviamente, está enganado. Esta é uma das maiores empresas de software do mundo... porque cada funcionário entende que faz parte de um todo. Logo, se um funcionário tem problema, a empresa tem problema. (Filme: Matrix) |
Se aquilo que beneficia a coletividade prejudica alguns grupos e alguns indivíduos, sinto muito, mas a vontade da maioria vence (desde que respeite direitos das minorias). Certamente, estou falando em maioria consciente e livre e não em "maioria" viciadas e contaminadas pelo veneno das "forças ocultas", ou seja falsa maioria.
As "forças ocultas" obstruem os caminhos da revolução. Fecham as portas, pois controlam o Estado, os órgãos públicos, as empresas e, principalmente, a mídia. Assim, transformam revolucionários em loucos ou palhaços, marginais, criminosos, maconheiros, etc. Mancham a conduta de quem luta pela coletividade.
Assim, as "forças ocultas" trabalham ferozmente para tirar a credibilidade do discurso revolucionário, inclusive distribuem suas explicações e suas críticas dizendo: "São loucos, são isto, são aquilo. Não devem ser ouvidos e nem seguidos." Porém, atrás do discurso há o interesse e a opressão camuflada, ou seja, buscam convencer a coletividade, geralmente convencem, da essencialidade do sistema opressivo e da exploração.
Dizem, por meio de palavras suaves, sutis e traiçoeiras: "Nós oprimimos, escravizamos e exploramos vocês para seu próprio bem, para a sua evolução. Além disso, não se preocupem com as coisas terrenas, pois o paraíso vos espera no céu. Aqui vocês são escravos, são pobres, etc, mas lá no céu, desde que não se revoltem aqui e trabalhem direitinho, receberão a recompensa." Enfim, eles não nos escravizam diretamente, mas sim indiretamente, ou seja, nós nos auto-escravizamos quando acreditamos no discurso que proferem e seguimos o que determinam.
O principal elemento de ação das "forças ocultas" é o discurso distorcido. Montam grandes mentiras a partir de fragmentos de pequenas verdades. É o método chamado "engana Descartes", ou seja, Descartes recomenda que uma coisa deve ser dividida em pequenos pedaços e, uma vez compreendido os pedaços, você compreende a coisa toda. No caso citado, os pedaços são verdadeiros, mas o todo formado é uma mentira cabeluda.
Assim, eles nos convencem que a escravidão e o cativeiro é o melhor para nós. Somos escravos da lei, mas são eles que fazem as leis. Somos escravos da democracia, mas são eles que governam. Somos escravos da justiça, mas são eles os juízes. O que sobrou para a coletividade ? Ser economicamente produtiva (produzir muito a baixo preço) e ter baixo custo de manutenção (não usar muito os serviços gratuitos do governo). Além disso, pagar os impostos em dia. Resumindo: trabalhe e pague seus impostos em dia, assim não haverá problemas.
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Sei que você está aí. Eu sinto você agora. Sei que está com medo. Está com medo de nós. Está com medo das mudanças. Eu não conheço o futuro. Eu não vim aqui te dizer como isso vai acabar. Eu vim aqui te dizer como vai começar. Vou mostrar a essas pessoas o que não quer que elas vejam. Vou mostrar a elas um mundo sem você. Um mundo sem regras e controle, sem limites e fronteiras. Um mundo onde tudo é possível. Para onde vamos daqui é uma escolha que deixo para você. (Filme: Matrix) |