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Por que vaiaram o Presidente Lula ? |
Leonildo Correa - Faculdade de Direito -- USP
O Presidente Lula foi vaiado no Pan e não fez o discurso de abertura. Essas vaias são oriundas de vários fatores, inclusive podem ter sido planejadas antecipadamente por alguns grupos minoritários, mas nada preocupante, pois a Democracia garante a liberdade de expressão, logo o direito de vaia, seja de quem for. Contudo, há uma outra razão que pode ter ocasionado isso e é sobre esta razão que eu quero falar.
O Presidente Lula é um líder carismático. E líderes carismáticos dependem de uma aproximação contínua com o povo e de presença constante em ações populares relevantes. Contudo, ao longo dos últimos meses e ano, o Presidente se afastou do povo e se entrincheirou no Palácio do Planalto. Recebe apenas os magnatas e figurões, autoridades estrangeiras e gente famosa, assim como gosta de viajar ao exterior. O povo olha e pensa: "O Lula virou burguês, está esnobando os trabalhadores e o povo".
Parece até que, de repente, o Presidente Lula vestiu a mascara usada pelos governantes burgueses que só gostam de se aproximar da coletividade e da população na hora de pedir votos, depois desaparecem, somem, vão para Brasília roubar o dinheiro público. E só se ouve falar deles quando são pegos com a boca na botija. Igual o Renan.
Para um líder carismático, o distanciamento do povo significa uma mancha em seu carisma. Quanto mais distante, maior é a mancha. E na hora em que a mancha cobre todo o carisma, o líder carismático some, desaparece.
Além disso, o povo quer ver um Presidente militante, atuante. Um Presidente que defende o povo e os interesses da coletividade, principalmente interesses dos excluídos e oprimidos, assim como um Presidente que participe de ações que beneficiem toda a população. E isso não tem sido visto mais. O Presidente não fala mais em povo pobre, não fala mais em excluídos, não fala mais em fome zero e em projetos contra a pobreza, projetos de geração de renda, etc.
Ultimamente o Presidente Lula só fala em OMC, Comércio Internacional, Etanol, etc. Além disso, está se transformando em um Presidente omisso, sem pulso firme na defesa do Brasil e dos Brasileiros. O povo está olhando e vendo um Presidente fracote, que abaixa a cabeça diante dos gritos do Evo Morales e do Chaves, que apóia os políticos corruptos do Congresso Nacional por meio de manobras complexas. Manobras complexas, porém perceptíveis para o povo.
O povo quer um Presidente militante e atuante na solução dos problemas sociais e na redução das desigualdades. O povo quer ver o Presidente falando grosso contra os corruptos e contra a roubalheira que afeta o país, assim como inaugurando projetos sociais, projetos de saneamento, geração de emprego e renda, etc.
O povo quer ver o Presidente contribuindo para coisas relevantes para a coletividade e não discursando no circo, numa festa de entretenimento, etc. A inauguração do Pan é uma festa do esporte e não um lugar de discurso político. E os políticos que tentam discursar em tais ocasiões, misturando as coisas, são vistos como oportunistas, gente que foi na festa para faturar apóio e conseguir votos nas próximas eleições.
O Presidente Lula precisa estar presente e discursar na inauguração de projetos sociais de grande impacto social, projetos que beneficiem toda a população. Contudo, isso tem se tornado cada vez mais raro no governo, ou seja, sumiram os projetos sociais do governo. Inclusive sumiram até as falas do governo sobre o povo pobre e excluído. Não só isso, os projetos que são iniciados não evoluem, não saem do papel. Dizem que vão fazer e não fazem. Começam a fazer e não terminam. O povo fica revoltado com isso e começa a vaiar e a jogar pedras nos políticos.
O PAC está empacado, não anda, não faz nada. Verbas são liberadas, mas ninguém vê resultados concretos, grandes construções, etc. O dinheiro sai da conta do governo e vai direto para a conta dos corruptos. E pior, os escândalos de corrupção não são rechaçados com veemência.
Sabemos que o Presidente Lula tem poderes e competência para exigir providências sérias contra a corrupção no congresso, assim como contra a falta de ética pública na Administração Pública. Se pode fazer por que não faz ? Não só isso, a Administração Pública continua prestando serviços de péssima qualidade em todo o país. Filas gigantes no INSS. Filas gigantes nos bancos federais. Filas gigantes na receita federal. E quando se é atendido, é mal atendido. Tudo isso afeta diretamente a população e quem manda nesse órgãos públicos é o Presidente Lula. Inclusive a sua foto está lá na parede. Bem grande.
Onde a coisa funciona, a popularidade do Presidente está em alta. Onde nada funciona, a culpa é do Presidente. Não só isso, onde foram feitos projetos sociais relevantes, o Presidente é bem visto. No nordeste, por exemplo.
Enfim, o Presidente Lula é um líder carismático e um líder carismático tem que estar próximo, junto com a população, para que o seu carisma funcione e continue em alta. O distanciamento mancha o carisma e apaga a relevância do líder. Mas não basta estar próximo, é preciso fazer diferença. Tem que fazer projetos sociais relevantes, de grande impacto social, que beneficiem a maior parte da população. Não adianta dizer que vai fazer e não fazer nada. Não adianta começar a fazer e não terminar. O PAC tem que sair do papel, seja o PAC econômico, seja o PAC educacional. Até agora não vimos nada. Só discurso.
Portanto, o Presidente Lula precisa recuperar o espaço e o tempo perdido. Tem que fazer menos coisas que beneficie a classe dominante e mais coisas que beneficie a maior parte da população. OMC, Comércio Internacional, etc ? O que a população brasileira ganha com isso ? Se a população ganha tem que dizer quanto ganha e onde ganha. Caso contrário, a visão que se tem é que o governo virou funcionário dos fazendeiros e das indústrias. Um garoto propaganda que viaja para o exterior para vender produtos e serviços.
Enfim, Juscelino construiu Brasília porque foi morar na obra. Se não tivesse ido, a obra não teria saído do papel.
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Lula sobre Datafolha: ‘De notícia boa eu nunca canso’ |
Josias de Souza - Blog do Josias
Folha Online - 05/08/2007
Um ministro de Lula discou para o presidente, na noite deste sábado, para informar ao chefe sobre o resultado da última pesquisa Datafolha. Lula reagiu com uma frase que faz alusão ao movimento “Cansei”: “De notícia boa eu nunca canso”, disse, entre risos.
“Passeando” pela internet, o assessor de Lula deu de cara com a notícia veiculada na Folha Online às 21h38 da noite deste sábado (5): “Crise aérea não afeta aprovação de Lula, aponta Datafolha”. Pesquisa realizada nos dias 1º e 2 de agosto, 15 dias depois da tragédia do Airbus da TAM, com 199 mortos, verificara que 48% dos brasileiros ainda consideram o governo Lula “ótimo” ou “bom”.
É o mesmo índice que o Datafolha detectara em março de 2007. Melhor: o percentual é quase idêntico àquele que o instituto captara em outubro de 2006 (49%), no rastro do acidente com o Boeing da Gol, que produzira 154 cadáveres e transformara o caos aéreo num tema recorrente do noticiário.
Ou seja, nem os dois maiores acidentes da história da aviação brasileira nem o humor azedo dos freqüentadores de aeroportos foram capazes de abalar a popularidade de Lula “Teflon” da Silva. Para o ministro que teve a oportunidade de trocar idéias com o presidente, a pesquisa evidencia dois trunfos do governo:
1. Apesar do noticiário negativo e dos “erros” cometidos pelo governo, a população percebe que a crise aérea, “profunda e sistêmica”, não nasceu nesta administração;
2. Há uma percepção de que os dois acidentes –Gol e TAM— não tiveram relação direta com os problemas administrativos do setor aéreo;
3. os usuários de avião constituem uma minoria, cuja insatisfação não contamina a maioria sólida que avalia o governo Lula de maneira positiva.
Pelo menos em relação ao terceiro tópico o ministro de Lula acerta em sua avaliação. A grande maioria dos brasileiros, informa a Folha (só assinantes) em sua edição deste domingo (5), é pobre: 59,5% têm renda familiar mensal que não ultrapassa à barreira dos três salários mínimos (R$ 1.050). E, de acordo com o Datafolha, só 8% dos brasileiros viajam de avião.
“Além disso”, anota a notícia da Folha, “a situação econômica do país permanece boa, com estimativa de crescimento em torno de 4,5% em 2007. O programa Bolsa Família, que atende cerca de 11,1 milhões de famílias, também ajuda a entender a manutenção da alta popularidade de Lula”.
Considerando-se apenas o universo dos 8% de brasileiros que utilizam o avião como meio de transporte, o percentual dos que consideram Lula “ótimo” ou “bom” foi de 29%. Nada menos que 19 pontos percentuais abaixo da media nacional (48%). Nesse nicho da população, os que classificam o governo como “ruim” ou “péssimo” chegam a 30%, o dobro da média nacional (15%).
A variação negativa mais expressiva na popularidade de Lula foi verificada entre os brasileiros com renda familiar mensal acima de dez salários mínimos (R$ 3.500). Nesse segmento, público que mais se sensibiliza com a pregação de enfado do “Cansei”, a avaliação de “ótimo” ou “bom” atribuída à gestão Lula despencou sete pontos.
Assim, a despeito da atmosfera sangrenta que conspurca o espaço aéreo brasileiro, Lula continua voando em céu de brigadeiro.