Houve um tempo nas Arcadas

Leonildo Correa - Faculdade de Direito -- USP

Houve um tempo que das Arcadas saiam Castro Alves, Rui Barbosa, Paulo Autran, Ulisses Guimarães e estudantes que trocavam os códigos por fuzis para lutarem na revolução.

Houve um tempo que das Arcadas as idéias ecoavam do outro lado do mundo e novos conceitos sempre germinavam. A polícia vigiava a escola temendo os subversivos. A ditadura temia a democracia e os alunos. Os professores ensinavam teorias que eles haviam criado e eram um exemplo vivo de direito e justiça. Das Arcadas saiam gente que mudavam a história.

As revoluções se foram. As causas desvaneceram. A inteligência deu lugar a mesmice e a mediocridade. As discussões acaloradas viraram pimbolim e sinuca.

Hoje nas Arcadas prevalece o irrelevante, o insignificante a lógica capitalista do egoísmo, da competição e do consumo. Centenas, milhares de alunos passam e continuam passando, sem deixar rastro, sem deixar nome. Surgem do nada e ao nada retornam. Não pensam. Não criam. Não interferem. Não contestam. Não mudam. Não são ninguém. Não existem.

 

Simplesmente aceitam e se conformam. Medo? Covardia? Pouca inteligência? Muita inteligência? Não querem se intrometer? Nada disso. Tudo isso.

 

Foram domesticados, institucionalizados, formatados. Se perderam antes da hora. Ainda não se encontraram. Nunca vão se encontrar ?

O largo tem que renascer. Não sejas mais um. Mais um medíocre. Mais um inexistente. Faça alguma coisa. Seja alguém. Deixe seu nome, sua voz e sua marca na história.

 

Mude o mundo, mude alguma coisa, ao menos mude de lugar na sala.

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