Livros didáticos virtuais

(Proposta do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do Governo Federal: 7 - O MEC e o Ministério de Ciência e Tecnologia vão lançar edital no valor de R$ 75 milhões para estimular a produção de conteúdos didáticos digitais.)

Vivemos na era da tecnologia e do conhecimento virtual. Vivemos na era em que todos os cidadãos podem acessar quaisquer dados ou informações disponíveis na rede mundial de computadores, bastando para isso um computador, softwares e uma linha telefônica. Contudo, para que isso ocorra é preciso que o conhecimento esteja disponível em algum servidor, seja privado ou estatal. Além disso, é fundamental que este conhecimento seja aberto e acessível a todos os internautas e navegantes da web, assim como a todos os interessados.

É importante assinalar ainda que a maioria das escolas públicas e dos órgãos públicos possuem computadores conectados na internet, assim como impressoras. São raras as escolas que ainda não receberam esses equipamentos, porém a proposta do governo é ligar todas as escolas à rede mundial, assim como implantar salas de computadores, para os alunos, em todas as instituições públicas de ensino, inclusive nas Bibliotecas Públicas.

Neste contexto idealizo uma nova escola pública, transformada completamente pela tecnologia e contaminada pela democratização do conhecimento. Uma escola que tenha acesso ilimitado e universal a todo o conhecimento humano e que possibilita aos seus alunos "navegar por mares nunca dantes navegados", mares espalhados pelos quatro cantos do globo terrestre e disponível para acesso livre via internet.

Nesta nova escola não existe livro didáticos de papel. Os livros didáticos são virtuais e estão disponíveis na internet. Por isso o governo não precisa gastar milhões comprando livros didáticos de papel, nem precisa gastar outros milhões para atualizar e trocar livros todos os anos. Imaginem quantas árvores seriam poupadas. Além disso, os índices de poluição da natureza por dejetos de usinas de papel cairiam drasticamente.

O Governo montaria uma equipe de notáveis professores para elaborar e atualizar mensalmente os livros didáticos virtuais, assim como para disponibilizar outros materiais importantes para os alunos das escolas públicas. Tudo virtual, tudo na internet, tudo atualizado em tempo real.

Ressalto ainda que o governo não precisa gastar milhões negociando com as editoras, pois os livros virtuais, em sua maioria, são escritos por professores de Universidades Públicas que devem produzir e atualizar as obras necessárias para o ensino fundamental. Por que comprar livros de editoras e pagar direitos autorais se o Estado tem profissionais competentes para escrever e atualizar esses livros ?

Esta escola que imagino teria um centro de gerenciamento em Brasília, onde o conhecimento e os livros virtuais estariam armazenados, porém, haveria backup desses servidores e vários outros pontos do país, pois todas as escolas públicas brasileiras dependeriam desses dados para funcionarem. Enfim, uma grande rede de conhecimento, ensino e aprendizagem.

Os professores, no site do governo, teriam uma área específica, assim como um cadastro específico. Acessariam a sua área e teriam disponíveis o material para a aula que deverá ser dada, assim como todas as informações pertinentes ao assunto a ser ministrados (fotos, vídeo, etc), bastando apenas escolher o material que deseja e transferi-lo para o computador da sala de aula e, na hora da aula, ligar o computador da sala e projetar o material no datashow para os alunos, explicando os detalhes da matéria, rodando os vídeos, mostrando as músicas, etc.

Mas talvez o professor precise distribuir algumas impressões ou algum capítulo detalhado do livro didático virtual, então imprimiria este material na sala de informática da escola e levaria os textos impressos para distribuir aos alunos. Impressos feito na medida exata, contendo apenas o assunto que interessa, sem perdas de papel, de tinta e de tempo.

Além disso, na área específica do professor, no site do governo, haveria os cursos a distância (educação continuada) que o professor pode fazer. Cursos de aprimoramento, de reciclagem, de aprofundamento, de especialização, etc. Cursos via internet, à distância, ministrada por professores notáveis das Universidades Públicas e disponíveis para todos os professores do Brasil e do mundo

O aluno poderia ler o livro didático virtual na escola ou em sua casa. Poderia imprimir apenas a parte do livro que lhe interessa, ou apenas aquela informação importante para as aulas seguintes. Mas e o aluno que é pobre e não tem computador em casa ? Não há problema, pois a escola tem as salas de informática para atender este aluno, assim como as Bibliotecas Públicas, a Prefeitura, a Câmara Municipal, etc. Todos os órgãos públicos possuem salas de informática que atendem gratuitamente os cidadãos, sejam ricos ou sejam pobres, todos tem o direito de acessar livremente o conhecimento humano.

É importante assinalar ainda a praticidade dos livros didáticos virtuais, pois o governo disponibiliza este material em um servidor e todas as escolas públicas, assim como todos os cidadãos interessados em estudar estes livros, acessam o servidor e obtém este material. É impossível o governo montar uma biblioteca com milhões de exemplares de livros em todas as escolas públicas brasileiras, mas é perfeitamente possível o governo montar uma única biblioteca pública virtual com milhões de exemplares de livros e abrir esta biblioteca para os milhões de brasileiro, assim como para todas as escolas públicas.

Ao invés do governo mandar livros para as escolas, o governo manda computadores com internet e técnicos para manutenção desses computadores, assim como para a instalação e manutenção das redes de computadores de cada escola e das salas de informática. É gastar milhões montando salas de informática com internet nas escolas públicas do que gastar bilhões comprando livros de papel que desatualizam todos os anos.  Será que os corruptos vão deixar isso acontecer ?

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