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A destruição da Amazônia é a destruição do Brasil |
Leonildo Correa -- Instituto OCW Br@sil
A floresta amazônica é patrimônio de todos os brasileiros. Um patrimônio que está sendo dizimado e destruído dia após dia. Quem está ganhando com essa destruição? Se as terras da Amazônia pertencem, em sua maioria, ao Estado Brasileiro ou são reservas indígenas, como podem os estrangeiros adquirirem centenas de milhares de hectares de terras na região? Quem está vendendo essas terras? Com que direito? E os grileiros ? Qual é o modelo ideal de propriedade de terras para a Amazônia ? Como proteger a floresta e promover o desenvolvimento sustentável ?
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Receita contra o desmatamento |
As pessoas estão sendo atraídas para a floresta por causa do desmatamento. Elas sabem que o desmatamento necessita de mão-de-obra e que vai dar-lhes oportunidades. Mais do que isto, quem desmata sabe que será anistiado futuramente, por isso não se preocupa em continuar desmatando e destruindo a floresta.
Portanto, a solução para o caso é:
1) proibir imediatamente todos os tipos de desmatamento. E tipificar a conduta "desmatar" com confisco, não daquilo que foi desmatado, mas do patrimônio pessoal de quem desmata. Somente deve ser admitida atividades de exploração da floresta que não envolvam desmatamento ou a derrubada de árvore. Se for terminantemente proibido desmatar e a pena para quem desmata pesada, a floresta será preservada e encontrarão outro modo de explorá-la sem destruir.
2) proibir a entrada de máquinas nas áreas que foram desmatadas ou máquinas utilizadas para o desmatamento em áreas de floresta virgem, assim como retirar, imediatamente, destas áreas estes tipos de máquinas. Sem máquinas que derrubam a floresta não há desmatamento, pois pessoas com machados levarão vários anos para derrubar algumas árvores da floresta. Logo, somente pessoas não conseguem derrubar a floresta. As máquinas derrubam. Pessoas com machado não. Portanto, a retirada imediata dos maquinários desta área, assim como o bloqueio, nas entradas, para impedir a entrada de máquinas utilizadas para desmatar, são ações eficazes que atingem o desmatamento no miolo. Reduzindo a ação do homem contra a floresta.
Porém eu tenho uma dúvida: por que os ambientalistas ainda não explodiram estas máquinas ?
3) a proibição deve ser contínua e permanente. Sem possibilidade de suspensão, revogação ou anistia. A floresta amazônica não é lugar para a agricultura tradicional. Todo mundo sabe disso. Aquelas terras não suportam plantation por muito tempo. Ali não é lugar de plantation ou de latifúndios. Além disso, as terras públicas devem ser exploradas coletivamente.
4) Inclusive, eu defendo que seja proibida, definitivamente, o estabelecimento de qualquer tipo de propriedade particular nas terras da Amazônia. A floresta não deve pertence a nenhuma pessoa particular. São terras que pertencem ao Povo brasileiro e somente devem ser exploradas coletivamente, pela coletividade. Assim, os lucros obtidos pela exploração sustentável da floresta devem ser distribuídos em partes iguais entre todos os moradores da localidade. Incluindo, nesta divisão, os royalties obtidos com produtos extraídos da floresta.
5) As áreas desmatadas devem ser confiscadas e distribuídas para trabalhadores rurais sem-terra. Deve-se proibir a criação de latifúndios na Amazônia. Isto irá impedir o avanço da cobiça sobre a floresta. Além disso, o explorador e destruidor da natureza não pode ganhar com os crimes que pratica. Ele desmata e, ao invés de ser punido pela destruição, é anistiado e ganha a posse da terra. Isto mostra que o crime compensa e remunera e que o caminho é desmatar e destruir tudo. Quem desmata e destrói a natureza tem que perder a posse da terra e pagar pesadas multas à coletividade.
6) A Constituição Federal, art. 225, tem que ser cumprida... Se vão abolir os artigos da constituição que prejudicam o agronegócio, eu vou sugerir, já estou sugerindo, a abolição dos artigos da constituição que respaldam o Estado, principalmente, o legislativo e o judiciário. Ou se cumpre tudo, ou não se cumpre nada...
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Porcos e caviar |
Para explicar a minha visão sobre o desmatamento da Amazônia, de uma forma simples e rápida, de maneira que todos compreendam, resolvi criar esta imagem: porcos e caviar.
Inegavelmente, a engorda de porcos para venda é um bom negócio. É um negócio bem lucrativo. Então, de repente, para engordar os porcos, os criadores resolvem, ao invés de usar ração comum, alimentar os bichos com caviar. Porcos de engorda alimentados com caviar.
Uma absurdo, dirão capitalistas....Uma estupidez, dirão os demais. E eu digo: é exatamente isto que está sendo feito na Amazônia. Derrubar a floresta para plantar monocultura é engordar porcos com caviar. Derrubar a floresta para montar plantation, monocultura de soja, gado ou cana, além de ser uma estupidez, é a expansão do latifúndio no Brasil, das desigualdades sociais e do conflito pela terra.
Vai aprofundar o conflito pela terra, pois quem está destruindo a floresta, construindo plantation e latifúndios, é o agronegócio. Não são os trabalhadores rurais ou a agricultura familiar. Pequenos trabalhadores rurais não possuem o maquinário necessário para derrubar a área desmatada que estamos vendo nos mapas.
O desmatamento gera concentração de terras, concentração de rendas, latifúndios, plantation, mais conflitos pela terra e destruição do meio-ambiente. Quem desmata e destrói ganha com isto. A sociedade e o Povo Brasileiro só perde.
A floresta intacta é o caviar. É a floresta utilizada para turismo ou como fonte de pesquisa científica. A floresta intacta pode gerar lucros infinitamente maior e inesgotável do que o advindo com o desmantamento. Por quantos anos as áreas desmatadas irão produzir ? Com quem ficará os lucros obtidos nestas áreas ?
A engorda de porcos com caviar não rende muito, pois a carne do porco vale muito menos do que o caviar. Contudo, as mentes obtusas só sabem criar porcos, só vêem lenha e madeira na floresta. Não sabem explorá-las de outra forma. Se não agirmos logo, farão com a floresta amazônica exatamente o que fizeram com a mata atlântica.
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O zonemento da Marina |
A idéia do zoneamento da Amazônia é muito interessante e pode ser uma medida efetiva para acabar com o desmatamento na região.
Por que o governo não faz o zoneamento e atribui o controle e fiscalização dessas zonas às Forças Armadas ? Os militares tem pessoal, tem transporte, tem armas e equipamentos para interferir em quaisquer pontos da Amazônia rapidamente...
Além disso, um acordo com os militares, para esta tarefa, daria mais verbas às Forças Armadas. Sem contar que eles poderiam utilizar os conhecimentos obtidos para os planos de defesa e estratégias de proteção do território nacional.
A idéia é matar dois coelhos...Desculpe-me !!! (Não pode falar em matar coelhos para ambientalistas.).
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A internacionalização da Amazônia |
As manifestações neste momento (27/06/08), principalmente nos EUA, sobre a internacionalização da Amazônia, é um ardil ou armação, visando enfraquecer Obama, inclusive o próprio discurso de Obama, sobre esta questão, foi envenenado por algum assessor infiltrado da parte contrária.
O ardil é o seguinte, havendo manifestações nos EUA, sobre a internacionalização da Amazônia, ocorrerá, necessariamente, uma reação na América do Sul. Uma reação que pode ser interpretada como hostilidade. E uma América do Sul hostil merece um "big stick". Inclusive há na América do Sul dois "supostos" inimigos dos EUA: o Chavez e o narcotráfico da Colômbia.
Disseminando nos EUA a idéia de internacionalização da Amazônia sul-americana, estes países tenderam a se aproximar, formando uma frente anti-EUA. Dessa forma se criará um "suposto" grande inimigo sul-americano.
Este "suposto" grande inimigo sul-americano precisará ser combatido por um Presidente dos EUA que tenha experiência no manejo do "big Stick". Mais precisamente por um veterano de guerra que tenha sido, inclusive, prisioneiro de guerra em terras subdesenvolvidas. Por exemplo, o Vietnã...
Resumindo, as discussões sobre a internacionalização da Amazônia, inclusive feito no discurso irrefletido e envenenado de Obama, pode fortalecer os republicanos.
Neste contexto encaixa-se perfeitamente o editorial do New York Times. Inclusive, a midia americana tem um sério problema, a gente nunca sabe se está lendo um texto elaborado por um jornalista verdadeiro e isento ou se é um texto plantado pela CIA para atingir objetivos de interesse da Casa Branca.
De uma forma ou de outra, a discussão sobre a internacionalização da Amazônia, neste momento, deve ser ignorado pela América do Sul, pois é um momento de definição nos EUA. E nós não queremos que um veterano de guerra vire presidente e continua espalhando guerras pelo mundo.
Além disso, os eleitores americanos precisam ficar atentos às reportagens sobre terrorismo, etc. Certamente, vão tentar, mais uma vez, amedrontar a população, para eleger o veterano de guerra como presidente.
O perfil de Dilma Rousseff, feito "supostamente por um consulado dos EUA no Brasil, mas, certamente, obra da CIA, também deve ser compreendido neste contexto de eleições nos EUA. Desde quando o Departamento de Estado dos EUA faz perfil de autoridades públicas para ser publicado em jornais do país onde estão estas autoridades ? Fizeram isto esperando um aumento de críticas e contestações aos EUA...
Porém, acho que quebraram a cara, pois a tentava de manipulação foi percebida...
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Militares na Amazônia |
Gastaram mais de R$ 3.000.000.000,00 (Três bilhões) com os jogos do Pan e para os militares, que protegem as nossas fronteiras e as nossas riquezas, não há dinheiro ? Será que vamos perder a Amazônia como perdemos o Uruguai ? Nós temos uma grande, uma imensa riqueza, e os guardas dessa riqueza são os militares.
As forças armadas precisam ser re-equipadas o mais rápido possível. Discurso não salva a Amazônia. O que salva a Amazônia é a nossa capacidade de rechaçar e rebater quaisquer tentativas estrangeiras que visem tomá-la de nós. Não há como proteger uma grande riqueza com guardas desarmados ou com armas obsoletas...
Considero fundamental a idéia de integrar os guerreiros indígenas ao Exército. Esses guerreiros são brasileiros e são soldados naturais da Amazônia. Também deveríamos ter centenas de bases secretas (camufladas) de mísseis instaladas na floresta e em outros locais do Brasil, principalmente ao longo da faixa litorânea...
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Em todos os discursos, o ministro
realçava a máxima do herói indígena Sepé Tiaraju, imortalizado no
poema épico O Uraguay: “Esta terra tem dono”, repetia Jobim. Em
1750, o herói morreu em defesa da região das Missões. Sepé perdeu a
guerra porque não tinha armas. Mas os fuzis do Exército têm 43 anos
de idade e alguns batalhões estão racionando alimentos.
Revista Isto É -- 24/10/2007 --
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1982/artigo64463-1.htm
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As Forças Armadas podem fazer mais |
►►Penso também que a fiscalização e proteção das reservas ambientais e minerais, dos parques nacionais, assim como das reservas indígenas, devem ser entregues ao Exército, a Marinha e a Aeronáutica, pois as forças militares possuem os meios, os recursos e os conhecimentos necessários para assegurar, verdadeiramente, a proteção e a manutenção dessas áreas.
Lembro que o Ibama é completamente corrupto e incompetente no exercício dessas atividades e está permitindo, sob o argumento de que não tem pessoal ou recursos, a completa destruição da biodiversidade brasileira.
Com o Exército protegendo e monitorando as áreas protegidas nenhum madeireiro vai ousar invadir o local para extrair madeira ilegalmente, assim como nenhum traficante vai querer plantar maconha em reserva natural.
►►Além disso, as terras da União, sob controle do INCRA, principalmente na região norte do Brasil, estão sendo completamente assimiladas pela grilagem de terras. Assim como o Ibama, o Incra é outro poço de corrupção e ilegalidade. Sem contar a falta de fiscalização das terras e o respectivo controle das demarcações. É preciso que os militares assumam essa tarefa também, pois assim nenhum grileiro vai querer enfrentar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para tomar as propriedades do Estado.
Lembro que as propriedades do Estado são propriedades do povo, de todas as pessoas e não só de uma ou de outra. As árvores que roubam da Amazônia são minhas, são tuas, são nossas. As terras que "grilam" também são minhas, são tuas, são nossas. Não podemos permitir que uns poucos "vagabundos" destruam todas essas riquezas. É preciso proteger e monitorar constantemente estas áreas e quem pode fazer isso é o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Forças que podem fazer mais, muito mais, pelo Brasil.
►►Certamente, isso não implica na mudança de função das forças militares, mas sim numa ampliação do seu campo de atuação. Os militares sabem conciliar a preparação para a guerra com o trabalho social. Não apenas defendem o país contra a ameaça estrangeira, mas podem ajudar o povo a se desenvolver e a criar uma grande nação brasileira.
►►A idéia de que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica existem exclusivamente para a guerra não se aplica mais na era globalizada, pois, atualmente, os conflitos armados são cada vez mais raros e difíceis de acontecer, principalmente, por causa dos acordos e tratados multilaterais, assim como da mediação de organizações supra-nacionais, como a ONU e a OEA, por exemplo.
Portanto, o problema que surge é o seguinte: se a guerra é impossível e a defesa do país, contra ataque estrangeiro, não exige tanto, o que faremos com as forças militares ?
A resposta é simples, devemos utilizar os contingentes militares no desenvolvimento social do país, assim como na proteção de nossas riquezas, pois temos que proteger o Brasil não só dos estrangeiros, mas acima de tudo dos brasileiros corruptos e ambiciosos que estão destruindo a nossa pátria e roubando as nossas riquezas. Esse tipo de brasileiro é muito mais perigoso do que uma legião de estrangeiros.
Assim, ao invés de fazer licitações fraudulentas e perder dinheiro com a corrupção da iniciativa privada, é melhor aumentar os contingentes militares e transferir os recursos para o Exército fazer a obra. Não só um pequeno trecho, mas a obra completa, todas as estradas. Vai sair um serviço bem feito e os militares irão aplicar os recursos conforme o combinado. Sem contar que o Exército é uma grande oportunidade para milhares de jovens que estão começando a vida agora.
Mas não só estradas, o Exército pode construir creches, escolas, postos de saúde, hospitais, etc. Além disso, as forças militares possuem médicos e professores que podem auxiliar nos hospitais públicos sobrecarregados e nas escolas em dificuldades.
É melhor transferir recursos para os militares fazerem esses serviços do que alimentar a corrupção da iniciativa privada e a roubalheira dos políticos de plantão.
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Centros de pesquisa no meio da Amazônia |
Não adianta apenas proteger e fiscalizar as reservas ambientais e a Amazônia brasileira. É necessário estudar essa biodiversidade e para isso temos que levar os pesquisadores para o meio do mato. Portanto, o governo tem que investir pesado na construção de centros de pesquisas dentro dessas reservas. Inclusive as forças militares podem fazer essas construções, de acordo com as instruções passadas pelas Universidades Públicas.
Além disso, é necessário que seja criada uma linha de pesquisa para a biodiversidade brasileira e que as Universidades tenham, nas reservas ambientais, linhas específicas pesquisa.
Existindo centro de pesquisa montados e equipados no meio da floresta, certamente, milhares de pesquisadores irão se dedicar a desvendar os segredos da natureza nessas regiões. O que é inconcebível é tentar mandar pesquisador para o meio do mato sem nenhum suporte técnico de pesquisa e a milhares de quilômetros da Universidade de origem, tendo que enfrentar não só os perigos da floresta, mas também os jagunços dos grileiros, dos madeireiros e dos garimpeiros.
Além disso, a presença de pesquisadores dentro das reservas, e protegidos pelo Exército, pela Marinha e pela Aeronáutica, inibirá completamente quaisquer ações dos madeireiros, dos grileiros de terras e dos garimpeiros para explorar ilegalmente a área.-
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Hidroponia na Amazônia |
A Amazônia é o lugar ideal para desenvolver a agricultura. Não a agricultura comum, mas sim a agricultura hidropônica que precisa de muita água e sol. Não podemos deixar os lenhadores e os madeireiros continuarem tomando conta da Floresta Amazônica. Estão transformando a Floresta Amazônica em lenha, carvão e madeira para construção civil. Estão transformando árvores de trezentos anos em mesa, cadeira e armário. A estupidez humana não tem limites.
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Por José Barroso Filho* em 24/05/2007
A Hidroponia é um sistema de cultivo, dentro de estufas sem uso de solo. Os nutrientes que a planta precisa para desenvolvimento e produção são fornecidos somente por água enriquecida (solução nutritiva) com os elementos necessários: nitrogênio, potássio, fósforo, magnésio etc., dissolvidos na forma de sais. Basicamente qualquer água potável para consumo humano serve para hidroponia.
É uma técnica bastante antiga e, de certa forma, única em meio a tantas outras. Sua proposta básica é de cultivar vegetais sem a utilização do solo, da terra, mas sim, fazer o cultivo apenas com água, normalmente associada aos elementos nutritivos, essenciais para o bom desenvolvimento das plantas. São eliminadas operações como: aração, gradeação, coveamento, capina, bem como a manutenção dos equipamentos utilizados para estas operações A ergonometria é muito melhor, pois se trabalha em bancadas. O trabalho é mais leve e mais limpo.
No Japão, há várias décadas, utiliza-se da hidroponia para o cultivo de hortaliças para o consumo da população. Como todos sabem, este é um país que não dispõe de grandes áreas cultiváveis, aliás, que não dispõe de grandes áreas para sua própria expansão, bem como as rigorosas condições climáticas, pois experimenta rigorosos invernos. Isso fez com que o Japão desenvolvesse várias alternativas para a produção de alimentos, dentre as quais, e com grande destaque, a utilização da hidroponia.
Israel também possui um grande know-how em hidroponia, produzindo hortaliças e flores ornamentais, em grande escala, através de plantações hidropônicas.
No Brasil, a hidroponia já está bastante disseminada. Em vários estados, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, a utilização da hidroponia é uma realidade há muitos anos.
Com a hidroponia, é possível cultivar, de maneira bastante adensada, hortaliças e outros vegetais, alcançando-se um grau de produtividade bastante elevado.
As plantas são cultivadas em perfis específicos, 80 cm acima do solo, por onde circula uma solução nutritiva composta de água pura e de nutrientes dissolvidos de forma balanceada, de acordo com a necessidade de cada espécie vegetal. Esses perfis provêm o meio de sustentação para as plantas, sem necessidade de pedrinhas ou areia. A solução nutritiva tem um controle rigoroso para manter suas características. Periodicamente é feito um monitoramento do pH e da concentração de nutrientes, assim as plantas crescem sob as melhores condições possíveis. Essa solução fica guardada em reservatórios e é bombeada para os perfis, conforme a necessidade, retornando para o mesmo reservatório. É o sistema de cultivo NFT (Nutrient Film Technique) -- fluxo laminar de nutrientes, o mais difundido.
Percebe-se uma alta produtividade: um único empregado pode cuidar de mais de 10.000 plantas. O custo de manutenção (empregado, água, luz, frete etc.) para o cultivo de alface, por exemplo, está em torno de R$ 0,15 por pé. Um projeto comercial de 3.400 pés de alface/mês requer apenas 140m²; Não há preocupação com a rotação de culturas e o replantio é imediato após a colheita.
A produção se faz durante todo o ano por ser um cultivo protegido, como a maior higienização e controle da produção, a planta cresce mais saudável e, por estar longe do solo, menos sujeita a infestação de pragas, o que acarreta uma redução das pulverizações.
Não há desperdício de água e nutrientes. A economia de água em relação ao solo é de cerca de 70% e a produtividade em relação ao solo aumenta em cerca de 30%. Por ser colhida com raiz a sobrevida da planta hidropônica é muito maior que a da cortada no solo.
Praticamente tudo pode ser cultivado através da hidroponia. Hoje em dia, a alface ainda é a mais cultivada, mas pode-se plantar brócolis, feijão-vagem, repolho, couve, salsa, melão, agrião, pepino, berinjela, pimentão, tomate, arroz, morango, forrageiras para alimentação animal, mudas de árvores, plantas ornamentais, entre outras espécies.
O produto final cultivado em hidroponia é de qualidade superior, com grande aceitação e crescente procura pelo mercado consumidor.
É mais uma alternativa de otimizar a produção e o barateamento dos alimentos. Desenvolve Amazônia !
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A internacionalização do mundo |
Cristovam Buarque
Senador
Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate recente, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo se sentem no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.