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Clonagem Humana e escravidão |
Leonildo Correa - Instituto OCW Br@sil -- 01/02/2008
Cientistas norte-americanos anunciaram em 17/01/2008 (notícia aqui) terem produzido embriões que eram clones de dois homens. O trabalho foi publicado na revista "Stem Cells. E, o fato mais interessante da notícia e que passou despercebido para a maioria, é que Samuel Wood, co-autor do estudo, é executivo-chefe da Stemagen Corp, de La Jolla, na Califórnia.
Muita gente criticou a notícia sem apresentar argumentos fortes. Afinal, estão pesquisando a clonagem e clonaram os embriões para descobrir a cura para doenças graves. Logo, de um lado a clonagem e de outro as tais doenças graves. Resultado: um cenário difícil de argumentar e compor.
A minha visão disso é clara, claríssima. É mentira. É tudo mentira. A clonagem dos tais embriões não são para pesquisas médicas. As pesquisas médicas é a neblina que cobre as reais intenções do mal. As tais doenças graves que podem ser curadas com as células-tronco são desculpas, dissimulações, para se realizar pesquisas que produzam clones humanos. Isto fica evidente quando se observa que existem outros meios para realizar estas pesquisas, sem utilizar embriões ou criar clones.
Mas por que querem os clones ? Se olharmos para a notícia veremos uma empresa por trás dela. Vemos uma corporação. Esta corporação não está interessada na cura de doenças graves. Está interessada na produção dos clones. Está interessada em dominar a tecnologia que produz clones humanos.
A segunda pergunta por que ? Depois que dominar a tecnologia dos clones, a corporação, certamente, irá patentear a tecnologia e irá alegar que não são pessoas, não são seres humanos, são clones. Vão utilizar o mesmo argumento que usaram para dizer que os micróbios que comiam petróleo não eram seres vivos, logo, podiam ser patenteadas. E foram patenteadas pela General Eletric e pelo Professor Chakrabarty.
Dr. Jeremy Rifkin (Presidente, Foundation on Economic Trends) conta no documentário "The Corporation""
O caso Chakrabarty é um dos grandes momentos judiciais da história
do mundo. E o público ficou totalmente inconsciente do que aconteceu
e o que o processo envolvia. A General Electric e o
Professor Chakrabarty foram ao escritório de patentes com um pequeno
micróbio que comia óleo derramado. Eles disseram que haviam
modificado o micróbio em laboratório e que por isso era uma
invenção.
O escritório de patentes e o governo dos Estados Unidos deram uma olhada nesta citada invenção; e disseram de jeito nenhum. As patentes não cobrem coisas vivas. Isto não é uma invenção. Parem com isso. Então a General Electric e o Doutor Chakrabarty apelaram para a corte americana de apelações. E todo mundo ficou surpreso quando pela decisão de três a dois eles passaram por cima do escritório de patentes. Eles disseram que o micróbio parecia mais como um detergente ou um reagente do que como um cavalo ou uma abelha. Eu ri porque eles não entendiam biologia básica; parecia mais como um produto químico para eles. Tenha ele uma antena ou olhos ou asas ou pernas isso nunca cruzaria as suas mesas e seria patenteado. Então o escritório de patentes apelou. E o que o público deve saber agora é que o escritório de patentes foi muito claro que você não poderia patentear vida.
Minha organização providenciou o relatório "amicus curiae" se você permitir a patente deste micróbio, nós argumentamos significa que sem qualquer discussão no congresso ou discussão pública as corporações possuirão os direitos sobre os projetos da vida. Quando eles decidiram, nós perdemos por cinco a quatro e o Juiz Warem da justiça disse que tinha certeza de que existiam grandes questões mas achava que isto era uma decisão pequena. Sete anos mais tarde o Escritório americano de patentes emitiu o decreto sentença UM que diz que você pode patentear qualquer coisa viva no mundo exceto um ser humano completo.
Todos nós ouvimos sobre o anúncio de que nós mapeamos o genoma humano. Mas o que o público não sabe é que agora existe uma grande corrida pelas companhias que tem o genoma e pelas companhias de biotecnologia e pelas companhias científicas para achar o tesouro no mapa. O tesouro dos genes individuais que geram a projeto da raça humana. Toda vez que eles capturam um gene e o isolam essas companhias de biotecnologia os reclama como sua propriedade intelectual. O gene do câncer de seio, o gene da fibrose cística, e vai por aí, e adiante. Se isto continuar assim na comunidade mundial dentro de menos de 10 anos um monte de companhias globais irá possuir diretamente ou através de licenças os genes que fazem a evolução das espécies. E eles estão agora patenteando estes genomas de qualquer outra criatura deste planeta.
Na era da biologia, a política está dividida entre aqueles que acreditam que a vida tem um valor em si e entretanto devemos escolher tecnologias e usos comerciais que honram este valor... E aqueles que acreditam que a vida é uma simples utilidade. É uma oportunidade comercial e eles se alinham com a idéia de deixar o mercado ser o árbitro de toda a era da biologia.
O caso dos micróbios é o precedente que precisam para patentear a tecnologia que produz clones, assim como os clones produzidos. Isto abrirá, inegavelmente, uma nova era de violações de Direitos Humanos, escravidão e opressão sobre a face da Terra. O mal tem diversos truques e métodos de ação. E este é mais um deles. Vão utilizar a idéia de que aquilo que não é junção de um óvulo com um espermatozóide não é humano. Logo, os clones não são humanos. São coisas. Logo, podem ser produzidos em série e escravizados.
É este o negócio que a corporação quer dominar com a tecnologia dos clones. Produção em série de seres humanos para trabalho escravo e para reposição de órgãos nas pessoas comuns. Um negócio, sem dúvida nenhuma, bilionário.
Precisamos rever, rapidamente, a definição que diz que seres humanos são oriundos da junção de um espermatozóide com um óvulo, pois se a clonagem for um fato, como está sendo descrito, vão produzir seres humanos de outra forma. Estes clones também são pessoas, também são seres humanos, também possuem vida e também possuirão consciência ou alma.
E se mantermos a definição de humano na junção do óvulo com o espermatozóide condenaremos estes novos seres humanos à escravidão e à coisificação. Serão considerados coisas e não pessoas. Não estarão protegidos pelos Direitos Humanos e repetiremos aquilo que fizeram com os índios nos tempos da colonização. Lembrem-se que os índios, no início da colonização, não eram considerados pessoas, mas sim animais. Eram perseguidos e caçados pelas matas, pois podiam ser escravizados e usados como coisas.
A bactéria do petróleo, o patenteamento da vida e a clonagem abrem espaço para o advento de uma nova era de violações de Direitos Humanos e de banalização da vida. Produção em série de pessoas supérfluas e descartáveis. Produção em série de clones humanos. Restauração da escravidão e uso de pessoas como coisas.
Inclusive restaurará uma antiga área do Direito, que nós ainda estudamos no Largo São Francisco: o Direito Romano. Agora os casos do Tício que mata um escravo do Caio, do escravo que mata o Mévio, do Semprônio que queria casar com a escrava, etc, se tornarão reais. O Direito Romano terá que ser restaurado para reger as relações dos humanos com os clones humanos, dos nascidos da junção do óvulo com o espermatozóide com os nascidos da clonagem, dos senhores com os escravos. O Professor Eduardo Marchi vai gostar de ouvir isto...
A clonagem é a tecnologia dos sonhos do totalitarismo. É a tecnologia que se enquadra com perfeição na construção de uma sociedade perfeita, pois ela permite a produção em série de pessoas com características específicas. Pode-se produzir pessoas que só mandam, pessoas que só obedecem, pessoas que só trabalham, pessoas que só cantam, pessoas que só escrevem, pessoas dóceis, saudáveis, arianos, etc.
E, como não são humanos, pois alegarão que não vieram da junção de um óvulo com um espermatozóide, são produtos da Stemagen Corp, podem ser exterminados em série, quando não tiverem mais utilidade. São produzidos em série. Logo, podem ser exterminados em série e queimados em fornos industriais ou utilizados para fazer sabão, ou então, como adubo orgânico. Já conhecemos esta história, não conhecemos ?
Talvez a Stemagen Corp, para facilitar a vida de seus clientes e melhorar os seus produtos, já insira neles um gene de auto-destruição. A pessoa não quer mais o produto, o clone humano, não quer vendê-lo, mas sim destruí-lo, então, a pessoa pega um pó, mistura no leite e dá para o clone beber. O clone bebe e morre e a pessoa o enterra no jardim, ou joga ele no lixo, ou corta-o em pedaços e usa na ração para os cães, ou então, queima o clone humano junto com a folhagem e usa as cinzas como adubo.
E a Stemagen Corp poderá ter centenas, talvez milhares, de produtos, clones humanos, diferentes. Pode produzir clones para o exército - o soldado perfeito; clones para os bordéis - a prostituta ideal; clones para as fábricas - o operário ideal; clones para o agronegócio - o agricultor ideal; clones para as universidades - os intelectuais ideais; clones para as escolas - o professor ideal; clones para a política - os políticos ideais; clones para a advocacia - o advogado ideal; clones para a Igreja - os pastores e padres ideais; clones para tudo - tudo ideal. Tudo produtos da marca Stemagen Corp.
Além disso, por que fazer filhos da forma natural, se é mais fácil fazer um clone com todas as características que queremos ? Inclusive podem alterar os genes do clone de tal forma que ele não se desenvolva. Um bebê que é sempre bebê. Um bebê que vai até certa idade e não se desenvolve mais, etc... As possibilidades são infinitas. Tudo tecnologia da Stemagen Corp ,que produz os melhores clones para você, o clone dos seus sonhos...